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Aprendendo com Anne Frank / O doar com alegria / Os caminhos da bondade… / Blog do Gilson Filho /

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As ruas da cidade de Nova York na qual vivo com minha família estão sempre cheias de pedintes que as pessoas costumam ignorar completamente sua presença ou lhe dão alguns trocados e se apressam em se afastar.Foi o que aconteceu um dia quando minha esposa estava descendo a Broadway com nossa filha Naomi. “Mãe”, disse nossa filha, na época com sete anos, “a senhora não cumpriu a mitzvá corretamente”.

” O que eu deveria ter feito,filha?”, perguntou-lhe Dvorah.

Naomi esta preparada, tendo aprendido a lição na escola judaica.

“A senhora não olhou a pessoa nos olhos e nem disse, ‘Que D’us te abençõe’. Porque quando faz a tzedaká (caridade), precisa doar com o coração”.

Minha esposa na mesma hora voltou, estendeu outro trocado ao pedinte, olhou-o nos olhos e disse: “Que D’us lhe abençõe!”. Mais tarde, contou-me: Quando olhei em seus olhos, vi em minha frente um ser humano, não um pedinte”.

As palavras de Naomi não eram apenas um reflexo no coração bondoso dela e de sua professora; representavam também a visão do judaísmo sobre a atitude certa que os doadores deveriam demonstrar. A lei judaica abomina as doações feitas com mesquinhez e exalta aqueles que demonstram bondade para com os pobres. Como escreve Moisés Maimonides (conhecido como Rambam) na Mishiná Torá, código de lei judaica de sua autoria, datado do século XII:

“Aquele que pratica um ato de caridade com grosseria e lança um olhar de superioridade aos pobres anula todo o mérito de sua ação, ainda que tenha doado mil moedas de outro. Deveria, sim, ter feito sua doação com bondade e alegria, e ter se solidarizado com os infortúnios da pessoa a quem a doação foi feita… Deve-lhe oferecer palavras de consolo e solidariedade”. (Mishinê Torá -Lei sobre doação aos pobres.)

Maimônides acrescenta que mesmo quando não temos nada a dar, devemos pelo menos falar com o pobre de maneira bondosa e estimulant (por exemplo dizendo: “Espero que sua situação melhore”).

O dinheiro constitui um aspecto importante da caridade, evidentemente,mas não é o mais importante. Anne Fank nos lembra, em palavras escritas quase 800 anos depois de Maimônides: “Você sempre pode doar alguma coisa, mesmo que seja apenas sua bondade”.

*Joseph Telushikim é um líder espiritual e acadêmico. Mora com a família em Nova York. É membro da CLAL, a National Jewish Center for Learning and Leadership, e o rabino da Sinagoga Performing Arts  em Los Angeles.

Anne – O Diário de Anne Frank – estará em cartaz no Teatro Santa Rosa – Ribeirão Preto, dia 30 de Agosto, às 20h30

Info: 16 39161350

Foto Ana Souza

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