Home»COLUNISTAS»Coluna do Gilson Filho / Órfãos de Cuiabá e a Caneta nas Mãos de D’us /

Coluna do Gilson Filho / Órfãos de Cuiabá e a Caneta nas Mãos de D’us /

4
Ações
Pinterest Google+

(Ilustração Maíra da Paz)

 

– Uma estupidez! –  (Carlos Alberto Sardenberg – CBN)

– Uma má ideia, mas não houve má fé. –  (Sandra Coutinho – Globo News)

“D’us escreve certo por linhas tortas.” – Estivesse viva, esta seria a sentença de minha avó, Elvira Bal Zacchi, em outros tempos…

Dona Elvira, usava sempre essa frase quando se deparava com situações tidas como inexplicáveis do ponto de vista humano. Inspirada em seus antepassados, procurava julgar a todos favoravelmente.

Assim ‘julgando’ favoravelmente àqueles que realizaram o famigerado desfile com órfãos de Cuiabá, vejo a caneta de D’us.

Vejo letras certas em linhas tortas. Atualmente, só há visibilidade quando ocorre algum episódio negativo.

Abismo

Há hoje 9.418 crianças e adolescentes aptos à adoção no Brasil, número que cresce ano a ano. E por que a conta não fecha se, na outra ponta, existem 45.758 pretendentes nacionais cadastrados?

O perfil dos abrigados e o pretendido pelos futuros pais ajuda a responder a questão:

Quase metade dos pretendentes do país (44%) não aceita uma criança negra

A maioria (61%) só aceita crianças e adolescentes sem qualquer doença

E a maior parte (62%) não topa levar para casa irmãos

E os dados do cadastro revelam que:

Quase 1/5 das crianças é negra

Mais de 20% têm alguma doença detectada

E mais da metade (56%) possui irmãos

Um dos fatores que mais dificultam a aproximação, no entanto, é a idade.

Enquanto 64% das crianças têm mais de 7 anos, por exemplo, menos de 10% dos pretendentes nacionais se mostram abertos a adotar alguém acima dessa idade. Já entre os pretendentes estrangeiros, 83% se dizem dispostos a adotar uma criança maior de 7 anos.

“A adoção internacional precisa ser uma alternativa”, afirma Paula Leal responsável pelo núcleo de adoção internacional do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, subordinado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública: “O problema é que falta conscientização. Hoje, só há visibilidade quando ocorre algum episódio negativo. Por isso, é preciso que os operadores do direito e os grupos de apoio mostrem que a adoção internacional hoje é muito segura. A gente faz um acompanhamento de todas as crianças adotadas fora do país por pelo menos dois anos. Na adoção nacional, por exemplo, não há essa obrigação.”

Foto: Caio Kenji -G1

Adoção tardia

Como a adoção internacional ainda não tem se tornado a solução para as crianças mais velhas e adolescentes nos abrigos, algumas iniciativas têm tentado suprir esse papel no país.

No último prêmio Innovare, que reconhece iniciativas que contribuem para modernizar a Justiça, uma página criada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo que incentiva a adoção de crianças maiores de 7 anos foi a grande vencedora em uma das categorias. O mote: “Adote um boa-noite – ele faria toda a diferença na vida de mais de 5 mil crianças acima dos 7 anos”.

No Rio Grande do Sul, o projeto Adoção Tardia é um outro exemplo. A designer Simone Uriartt, quando ainda estudava na UFGRS, decidiu criar um canal no YouTube para contar as histórias de famílias que adotaram crianças mais velhas, incentivando outros pais a fazerem o mesmo.

Com o tempo, percebeu que só isso não era suficiente. “Em 2015, a gente fez a primeira campanha de adoção para uma adolescente. E isso entra numa seara de grande discussão. O quanto vale expor a imagem de um adolescente que está esperando uma adoção nas redes sociais? Qual o ganho? Qual o risco?”.

A resposta veio rápido. Taiane, de 15 anos, foi adotada por uma família menos de três meses depois e ganhou um novo lar por causa do vídeo.

Foto: Divulgação Adoção Tardia

O pai, o servidor público federal Sandro Roberto de Oliveira, lembra do momento em que ele e a mulher, Geli, assistiram ao vídeo. “A gente estava na nossa casa de praia, no norte de Santa Catarina, e quando viu, apesar de ter colocado uma idade-limite de 7 anos no perfil da criança, ficou muito interessado na Taiane. A gente fez contato com a Casa Lar de lá mesmo. Eles pediram para a gente mandar uma cartinha e fotos. Como não tinha internet na casa, a gente correu para uma lan house para enviar”, conta.

“A gente era um casal sem filhos. E desde o namoro a gente sempre teve a intenção de adotar. Assim que a gente casou, entrou na fila. No começo, o perfil era abrangente, mas com pouca idade. Participando do grupo de apoio, no entanto, a gente desmistificou isso da idade. E ampliou o leque”, diz.

“Quando a gente fez o contato com a Casa Lar, já havia um casal em aproximação. A gente ficou triste no começo, mas se era pro bem dela, tudo bem”, conta. “Um mês depois, no entanto, a gente recebeu uma ligação perguntando se ainda havia interesse e se a gente podia passar o feriado de carnaval com ela.”

Sandro diz que os dois “largaram tudo” em Blumenau (SC) e passaram dias “fantásticos” com Taiane em Farroupilha (RS). “Como havia uma rejeição recente, ela estava bem tímida e desconfiada nas primeiras horas. Mas a gente logo disse: ‘Nós viemos para lhe conhecer e você só não volta com a gente se não quiser. A gente quer você para sempre’.”

Duas semanas depois, Sandro e Geli voltaram à cidade gaúcha, participaram de uma audiência e Taiane foi com os pais para sua nova casa. “Houve, claro, os desafios da adolescência. Mas ela é uma menina de ouro. Já se formou, faz faculdade de enfermagem.”

Sandro dá um recado para os pretendentes: “Quando a criança é mais velha, ela tem muita vontade de ser adotada. E tem muito carinho e muito amor para dar. Os pais que estão na fila e têm resistência repensem. Vale a pena”.

A TORÁ: A proibição de afligir viúvas e órfãos

D’us advertiu tanto o tribunal quanto cada indivíduo a resguardar-se para não afligir uma viúva ou órfão, sequer da mínima forma.

D’us disse: “Uma esposa que sofreu uma afronta pode queixar-se a seu marido; e um filho oprimido geralmente chama seu pai para socorrê-lo. Como uma viúva e um órfão não têm ninguém que os defenda, queixam-se para Mim. Vingarei cada um de seus clamores.”

D’us quer que cultivemos traços intrínsecos de bondade e compaixão. Portanto, proibiu-nos de dispensar tratamento inferior aos órfãos e viúvas por causa de sua posição mais fraca.

A proibição de oprimir os órfãos e viúvas, de acordo com a interpretação dos Sábios, está na Torá para servir de exemplo para a regra geral de que é proibido tirar vantagem de qualquer pessoa fraca. É uma mitsvá ser amável e prestativo com uma pessoa que esteja em situação em que se sente indefeso.

– Uma estupidez! –  (Carlos Alberto Sardenberg – CBN)

– Uma má ideia, mas não houve má fé. –  (Sandra Coutinho – Globo News)

– Foi o desespero. É muito difícil para quem trabalha com adoções, ver o número de abandonados crescer nos abrigos e não poder fazer nada… (Carmem Rita Passsos Cunha – Centro de Adoções SP).

-D’us escreve certo por linhas tortas. É preciso julgar a todos favoravelmente… (Elvira Bal Zacchi – minha avó materna)

 

   That’s all, folk …Gilson Filho é jornalista e editor deste Blog MTB 17114/67/15

Com G1

Postagem anterior

Após negar aprovação desenfreada de agrotóxicos, ministra libera mais 31 venenos / Por Mônica Nunes / Blog Gilson Filho /

Próxima Postagem

Ribeirão Preto/ Estudantes, Sindicatos e Trabalhadores vão à Esplanada nesta Quinta-Feira/ Dez razões para participar dos atos segundo os organizadores/Blog do Gilson Filho /

Sem comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *