Home»CULTURA»O Teatro e a prática da generosidade/ Fazer teatro faz bem a vida/ Por Ricardo Sonzin Junior / Blog do Gilson Filho /

O Teatro e a prática da generosidade/ Fazer teatro faz bem a vida/ Por Ricardo Sonzin Junior / Blog do Gilson Filho /

7
Ações
Pinterest Google+

“No ensino da ética, três virtudes são essenciais e devem ser reforçadas: a coragem para poder viver; a prudência para sobreviver; e a generosidade para conviver”. (Fernando Savater)

 

A tecnologia tem permitido ao mundo evoluir muito rapidamente, assim como tem aproximado pessoas e lhes proporcionado relações novas. Por isso, surgiram as manifestações “eletrônicas” das opiniões, das ideias e dos pontos de vistas e, consequentemente, os debates, os embates, as críticas, as defesas, as acusações e os julgamentos, tudo “esquentado” com maior ou menor intensidade.

Não demorou para que a intolerância, a discriminação, as marginalizações, os preconceitos e os ideais fossem evidenciados, discutidos, revistos e tão veementemente criticados. Com o advento da internet e seus espaços e fóruns cibernéticos, ficou claro o abismo estabelecido por e reforçado nas relações humanas e sociais. O que supostamente foi criado para aproximar, acaba por distanciar.

Diante deste panorama, entra em cena a sensação de que estamos vivendo uma crise nos valores e nas virtudes e que tudo está, literal e metaforicamente, de “ponta cabeça”.

Em nosso cotidiano, nas conversas de bastidores e de camarins da vida, percebe-se que há um certo relaxamento/afrouxamento dos padrões de justiça, de honestidade, de respeito, de moral e, principalmente, de ética. Não é incomum, inclusive, justificativas que coletivizam determinados comportamentos: surgem os “vou fazer por que todo mundo faz”; “posso fazer, mas o que vou ganhar com isso?” Seria esse o momento em que cravamos um “Estamos em crise?”

De acordo com Luciene Tognetta, a virtude é uma disposição carente da tomada de consciência do outro e extremamente dependente dos investimentos afetivos que a tornam um valor. Desse modo, a capacidade e a qualidade de atribuição de afetos também podem estar passando pelo mesmo período de incertezas e inseguranças.

É nesse momento que passo a pensar no papel da Educação. Diante de intensos e velozes processos de transformações do mundo contemporâneo, as escolas têm absorvido muitas vezes a responsabilidade de contornar tal panorama e, ainda, dar conta de reconstruir a escala de valores e virtudes nas crianças e nos jovens que, por sinal, estão também mergulhados nesse universo frágil e, de certo modo, inconstante. “O de ontem, não serve mais, o de hoje, talvez sirva”.

Ao lado desse cenário, uma armadilha se prepara para sair das coxias e roubar a cena: as escolas podem estar se limitando a apenas informar os jovens e a prepará-los para a concorrência. Logo, as atividades que propõem novos desafios de convivência e de troca de experiências se fazem fundamentais. “Quando se promove em ambientes escolares a possibilidade de pensarem no que os une, nos problemas que têm e nas formas pelas quais podem resolvê-los, pode-se contribuir para que o grupo se fortaleça e para que diminuam as necessidades de ser melhor ou pior que os outros” (TOGNETTA, 2009, p. 278). A prática teatral é uma dessas atividades.

O Teatro por si só já é uma arte coletiva e que, assim, é capaz de promover o diálogo, a colaboração, o sentimento de pertencer e a competência de observar e escutar a si e ao outro. Além disso, o fazer teatral gera um espaço de convivência, com intensa e produtiva interatividade, no qual a parceria, o apoio, a sensibilidade e a amorosidade podem ser desenvolvidos.

Como professor de Teatro no Colégio há 14 anos, percebo que a inclusão desta disciplina no cotidiano escolar é uma oportunidade mágica e que torna o Colégio Albert Sabin diferenciado. Como também em outras atividades do Programa Sabin+Esportes&Cultura, o Teatro celebra a desconstrução da arena das incertezas e inseguranças e adentra o universo da cumplicidade, da cooperação, do respeito, do cuidado e da generosidade. Essa última, a mim, tem sido de maior relevância e, sobre ela, gostaria de tecer alguns comentários.

Em As Paixões da Alma, tratado elaborado por René Descartes, a generosidade é apresentada como uma despertadora do real valor do eu e, ao mesmo tempo, como mediadora para que a vontade se disponha a aceitar o concurso do entendimento, acabando assim a causa do erro. Luciene Tognetta, em Perspectiva, Ética e Generosidade, confirma que, se desejarmos integrar a virtude da generosidade e de tantas outras à identidade da criança e do jovem, precisamos garantir oportunidades para que eles possam se conhecer melhor.

O Teatro no Colégio Albert Sabin se dá em duas etapas bem definidas e, exclusivamente, coletivas. A primeira é a criação, a argumentação/justificação e a edificação do texto. Em seguida, na próxima etapa, a execução do texto por meio do espetáculo. Ao final, temos um produto teatral, resultado de um conjunto de processos que, para acontecerem, precisam ser essencialmente democráticos, colaborativos e integradores.

De certo modo, o sucesso do trabalho dependerá muito da capacidade do grupo de ponderar, estabelecer relações, ampliar o campo de observações e registrar leituras de mundo diversificadas.  Feito tudo isso, ainda há um fator determinante: praticar a generosidade, ou seja, dividir uma cena, um tempo ou um espaço com o outro sem esperar algo em troca, a não ser o bem coletivo e o ato de oferecer, de acrescentar algo ao próximo.

Torna-se indiscutível o valor do Teatro para o crescimento pessoal de quem dele participa, afinal, permite ao aluno o desenvolvimento da oratória, da expressão corporal, da leitura e da interpretação de textos e da criatividade, além de proporcionar a experimentação de outras realidades por meio da representação de personagens. No entanto, seu valor mais significativo é sempre permitir ao aluno o contato com a arte, a sensibilidade e a coragem de ser generoso.

Partindo-se das premissas de René Descartes e Luciene Tognetta, que sinalizam não só ser a generosidade a verdadeira despertadora do real valor do eu, como também indispensável à formação da identidade da criança e do jovem, conclui-se que o Teatro tem cumprido atualmente uma missão fundamental diante da suposta crise de valores e de virtudes. Do mesmo modo que engrandece, valoriza e promove movimentos que propendam à generosidade, ele torna seus alunos praticantes mais solidários no convívio com seus semelhantes

Por fim, gostaria de me apropriar das palavras do filósofo espanhol Fernando Savater: “no ensino da ética, três virtudes são essenciais e devem ser reforçadas: a coragem para poder viver; a prudência para sobreviver; e a generosidade para conviver”.

*Ricardo Sonzin Junior Professor Teatro Colégio Albert Sabin SP/ 

 

Abertas incrições para Curso ‘ A Arte de Atuar: Do Texto ao Palco’ do Insituto Esfera

 Este curso do Instituto Esfera em parceria com o Instituto Ribeirão Em Cena, entende que o Teatro por si só já é uma arte coletiva e que, assim, capaz de promover o diálogo, a colaboração, o sentimento de pertencer e a competência de observar e escutar a si e ao outro.

Além disso, o fazer teatral é espaço de arte convivência, com intensa e produtiva interatividade, no qual a parceria, o apoio, a sensibilidade e a amorosidade podem ser desenvolvidos. A ação acontece na teoria e prática, através de oficinas laboratórios.

Do texto ao espetáculo, buscamos chegar ao produto teatral, atravessando todos os processos da construção do personagem e da cena, ou seja, a Semiótica do Texto Teatral, Expressão Vocal e Corporal, Improvisação, Criatividade e Dramaturgia, em construção sob novas leituras das ações físicas do Método Constatin Stanilavski.

Enfim um conjunto de processos que, para acontecerem, precisam ser essencialmente democráticos, colaborativos e integradores Constantin Stanislaviski Stanislavski (1863-1938 – Rússia) foi ator e diretor de teatro que, em 1897 criou o Teatro de Arte de Moscou, na direção do qual manteve-se durante quarenta anos. Tornou-se célebre ao utilizar sua experiência como diretor e professor, para criar um sistema de ensino da arte de representar chamado “O Método Stanislavski”.

 O ‘Método’ configura-se como uma “gramática do ator”, que lhe proporciona um aprendizado para a interpretação de uma peça ou personagem. Outro ponto a ser destacado é que, por meio dos elementos do ‘Método’, Stanislávski, situa o teatro no campo da ação, valorizando o caráter prático e improvisacional dos estudos cênicos, todo este sistema fornece condições para uma criação espontânea e autêntica, que não se ancora no mimetismo de modelos de atuação ou na reprodução de clichê.

PARA QUEM É ESTE CURSO

PESSOAS INTERESSADAS NO FAZER TEATRAL, COM IDADE ACIMA DOS 25 ANOS  E PROFISSIONAIS LIBERAIS QUE BUSCAM APRIMORAR A COMUNICAÇÃO NA VIDA E TRABALHO.

QUEM SOMOS

 O Instituto Esfera (IE) é um centro educacional multidisciplinar, autogestionário, que opera dentro dos princípios da economia solidária. Dedicado a atividades e processos educativos como estratégia para a emergência de uma nova cultura.

O IE foi fundado em setembro de 2014 e sua gestão ocorre por meio das Reuniões Gerais, onde todos os gestores, colaboradores, parceiros e interessadas(os) podem participar.

MODERADORES DA ATIVIDADE

 Gilson Filho

Em trinta e cinco anos de atividades jornalísticas trabalhou como repórter nas principais redações, redes de televisão e rádios brasileiras. Membro da Associação Latino Americana de Imprensa, recebeu o ‘X Prêmio Wladimir Herzog de Jornalismo’. Atuando no Teatro Brasileiro há 50 anos, estudou o “Método Stanislávski” com Jonas Block e Claudio Corrêa e Castro. Já dirigiu perto de 30 espetáculos e participou como ator em montagens históricas do teatro paulistano como: “Um Bonde Chamado Desejo’ – Tennessee Williams, ‘Sonho de Uma Noite de Verão’ – William Shakespeare, Mockimpot – Peter Weiss. ‘Caiu o Ministério’ – França Junior. É fundador do Instituto Ribeirão Em Cena de Teatro e Artes

 Camila Deleigo

Graduada em Teologia (AFARP/UNIESP), atriz formada pela Associação Ribeirão em Cena (2006), com atuação nas Companhias Nuvem da Noite desde 2007. Pesquisadora de teatro, com ênfase em ações físicas, com participação em projetos ligados à Faculdade de Sorbonne em Paris e ao Odin Teatret. Professora de oficinas teatrais, com especialidade no trabalho corporal.

 Marilia Marcucci

Gestora de comunicação e atriz, graduada em Letras, especialista (pós-graduada) em Estudos Literários; Semiótica; e Marketing. Atriz formada pelo Instituto Ribeirão em Cena, com atuação na Companhia Nuvem da Noite, desde 2011. Pesquisadora de teatro com ênfase em interpretação semiótica, redatora e gestora de comunicação da empresa Moore Stephens, professora em laboratórios de redação, comunicação e interpretação semiótica.

 Paula Lucisano

Fonoaudióloga e atriz, graduada em Fonoaudiologia pela USP, com formação artística pela Associação Ribeirão em Cena e atuação nas Companhias Nuvem da Noite,desde 2015. Paula também é pesquisadora de teatro, com foco na utilização da voz, consultora em linguagem, voz profissional e disfagia (consultório particular) e professora de voz em workshops dirigidos e em oficinas teatrais.

MATRÍCULA E INVESTIMENTO

 As matrículas podem ser realizadas diretamente no Instituto Esfera (Rua Amador Bueno, 1300. Centro) ou online no botão abaixo.

INVESTIMENTO:

R$ 220/mês (6x de R$220)

O valor total do curso (R$1320) pode ser parcelado no cartão ou no botão abaixo em até 12x:

HTTPS://WWW.INSTITUTOESFERA.ORG/CURSO-TEATRO

Postagem anterior

BOLSONARO E O AGRONEGÓCIO / DUARTE NOGUEIRA E O TWITTER / COLUNA DO EDITOR NO BLOG DO GILSON FILHO

Próxima Postagem

PT: Se não for Lula é Ciro? / Agro: ANP pode liberar produção de álcool em Micro Usinas / Coluna do Editor / Blog do Gilson Filho

Sem comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *