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Tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes…

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Há quem pense que o projeto Ribeirão Em Cena terminou. Engana-se. Longe disso. Sim, a Escola de Artes Cênicas do Ribeirão Em Cena, que deu formação artística a mais de três mil bolsistas, foi fechada por Dárcy Vera e seus asseclas da Cultura, da Educação e, permanece fechada. Mas o programa Ribeirão Em Cena, nunca se limitou a escola. Nos últimos quinze anos, produziu perto de trezentos espetáculos de teatro, dança e música. Ganhou prêmios. Participou dos mais importantes festivais do país. Foi reconhecido internacionalmente…

Tentaram nos enterrar, mas não sabiam que eramos sementes.

Na próxima terça-feira, o Ribeirão Em Cena, volta à luz do palco. Em pré-estreia nacional, apresenta no Theatro Pedro II, “Anne”, com dramaturgia inspirada no célebre ‘O Diário de Anne Frank’. De Ribeirão Preto, a ‘Cia. Nuvem da Noite’, ou seja, o núcleo profissional do Ribeirão Em Cena vai a capital do Paraná, para 4 sessões no Festival Internacional De Teatro de Curitiba.

E isso só será possível graças ao apoio incondicional de Mariana Jábali, presidente da Fundação Theatro Pedro II e secretária interina da Cultura.

Acho que não preciso escrever mais nada. Para um bom entendedor, meia palavra basta.

 

Lucélia Santos/ Santa Teresa D’Ávila

E por falar em teatro, Lucélia Santos também está de volta aos palcos no Rio de Janeiro. A temporada se estenderá a São Paulo. Por aqui estamos  trabalhando, para que Ribeirão Preto também possa assistir o espetáculo que é sucesso absoluto de público e critica no Rio.

Em “Teresinha”, primeiro monólogo da sua carreira, Lucélia revive Santa Teresa D’Ávila (1515-1582) e dá voz às suas muitas lutas, sobretudo pela liberdade de estabelecer uma relação íntima e apaixonada com Deus Pai e seu filho, Jesus Cristo — num dado momento da sua vida, a santa espanhola atinge um estágio tão avançado de oração que passa a relatar visitas pessoais que recebe de Deus, Cristo e outros santos em sua residência. Tratada como impostora, acusada de alucinação ou de estar possuída por demônios, Teresinha, antes de ser canonizada, foi demonizada e por pouco não ardeu nas chamas da Inquisição.

— Teresa foi uma mulher revolucionária em muitos sentidos e, como tal, foi mal compreendida e ameaçada. Ela viveu sempre na berlinda, entre ser vista como santa ou fruto do demônio — diz o diretor e idealizador da peça, Bruno Siniscalchi.

Ao manter-se fiel à sua crença e à liberdade de poder relatar ao mundo as experiências místicas que vivia, Teresa foi, por fim, santificada.

— Ela foi uma mulher libertária, sobretudo no que se refere à paixão, e fascinante por ter colocado a paixão num lugar amoral e proibido, afinal ela se apaixona por Deus, por Cristo — diz o diretor. — Ela dedica sua vida a essa relação e, para isso, abdica do mundo, cria um monastério, revoluciona a sua vida em prol de uma paixão que inventa. A peça acompanha essa sua busca, sobretudo por se libertar desse mundo.

Com Lucélia no papel-título e texto inédito do escritor André Sant’Anna, a dramaturgia se inspira em fragmentos da autobiografia de Teresa, o “Livro da vida”, e se apresenta em cena como uma saga. Em sua devoção irrestrita há uma política de ruptura com a vida mundana, e a peça acompanha esse périplo, um longo e doloroso processo de libertação que se dá através da oração e do aperfeiçoamento de sua comunicação com o Criador.

— Parodiando Teresinha, eu não ando muito interessada em discutir com a sociedade do mundo. Gostaria de estabelecer um padrão de comunicação unicamente através dos textos que enceno — diz Lucélia, através de uma mensagem escrita por e-mail. — Tenho sentido o teatro, a profissão de atriz, como o meu sistema de comunicação com o mundo. Hoje, em 2017, o teatro está para mim assim como o mosteiro estava para Teresa, em 1532. É a mesma dimensão, a mesma intensidade, a mesma entrega, o mesmo refúgio. É assim que me sinto: como se não tivesse ar fora da caixa preta.

O projeto é a terceira parceria entre Siniscalchi e Sant’Anna, que criaram juntos a peça “Todas as possibilidades” (2014), uma adaptação autoral feita por Sant’Anna a partir de “O homem sem qualidades”, de Robert Musil. Em 2015, foi a vez de “Todas as possibilidades — Parte II”, e, em 2016, da performance “O Brasil é bom”, a partir do livro homônimo de Sant’Anna, que também foi levado ao palco por Felipe Hirsch em seu projeto “Puzzle”. Autor de livros como “O paraíso é bem bacana” (2006) e “O Brasil é bom” (2014), ele tem tido seus contos levados à cena com frequência, assim como tem escrito cada vez mais para o palco.

Em seus textos, costuma encarnar personas distantes de si — “Eu me coloco dentro da cabeça dessas figuras e começo a pensar como elas”, diz —, em sua maioria sujeitos virulentos, radicais, que geram uma linguagem verborrágica e transbordam ódio, ironia, preconceitos e rancor. Sant’Anna, assim, assume a pele e a voz dos sujeitos sociais que busca criticar. Em “Teresinha”, ele teve de assumir a voz de uma santa, mas diz que o fez com toda a devoção do mundo, sem ironia alguma.

— É o meu texto mais puro, mais sutil. Quando falo em Santa Teresa e digo que estou escrevendo essa peça, as pessoas imaginam que vai ter cena de sexo da Santa com Deus, orgasmos com Jesus, mas procurei fugir disso. Sei que me chamam para escrever coisas malucas, escabrosas, mas esse é o meu texto mais singelo — conta. — Lendo Teresinha sinto que o que ela diz tem a ver com outro tipo de orgasmo. Os textos dela têm a ver com psicanálise, com o budismo, há uma busca por Deus que se aproxima da busca pelo nirvana. O que a interessa não é a terra, mas uma meditação capaz de transportá-la para o lado de fora. O que interessa é sair desse mundo o mais rápido possível e encontrar com Deus. É uma história de amor romântico, de uma mulher que se casa com Deus, que dedica sua vida a ele, mas não para fazer sexo, mas para tomar uma sopinha com ele, conversar e fugir desse mundo

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