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Todo mundo nú

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Um mês depois da Ruth Escobar ter dispensado todo o elenco de “Autossacramentales” em Paris por não ter conseguido consertar o cenário, estava eu na casa de uma amiga em Roma quando toca o telefone; era a Leina Crespi que atuava no espetáculo e acumulava a função de administradora: “Walter, fomos convidados para apresentar o espetáculo na Bienal de Veneza, vá já pra lá.” ” Como assim Leina, e o resto do elenco? A Ruth dispensou todo mundo.” “É, mas ninguém foi embora, todos estavam passeando aqui pela Europa. A Célia Helena foi, mas a Selma Egrei estava num festival de cinema na Espanha e vai entrar no lugar dela.” E lá fui eu de novo pra Veneza (já tinha passado um fim de semana lá quando fui encontrar a minha amiga antes de vir para Roma). Ensaiávamos numa sala do Teatro La Fenicce e num dia em que chegamos para ensaiar, um bailarino, provavelmente do corpo de baile do teatro, se exercitava numa barra de ballet que havia na sala. Nos acomodamos e começamos a tirar a roupa, isso já era automático para nós, já que na peça, atuávamos todos nus. E conversávamos, todos pelados, quando de repente, alguém notou e chamou a atenção dos outros; o bailarino veneziano, num ato extremo de delicadeza e solidariedade, também tirara a roupa e se exercitava totalmente nu!

Alceu

Alceu Valença tem uma historinha deliciosa; estava uma tarde num restaurante em Paris, quando vê em outra mesa uma mulher muito bonita., Sorri pra ela, ela sorri pra ele , ele se aproxima, conversam, ela pergunta o que ele faz. “Sou poeta”,diz ele. “Faz um poema pra mim, então”. Um guardanapo de papel, e lá está o poema. Ela se vai. E só então o Alceu fica sabendo que era, ninguém menos do que Caterine Deneuve. Daí, ele fez a música Belle de jour. Eu tive menos sorte. Caminhava, noite alta, pelo Boulevard de Saint Germain, quando vejo, pelo vidro, sentado à mesa de um bar, Victor Garcia com algumas pessoas. Ele me vê, me chama (eramos bons companheiros de copo), entro, sento e ele me apresenta seus amigos. Entre eles, Jean Sorell, ninguém menos do que o marido de Caterine Deneuve no filme Belle de jour. Não sou o Alceu Valença, não fiz nem poema, nem música. Mas, valeu!

*  Walter Cruz é ator de Cinema, Teatro e Televisão

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