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Vagas Estrelas

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A julgar pelos títulos de peças e filmes que estão fazendo hoje, não sei se eu entenderia o que o diretor quisesse de mim. Do autor então, nem se fala. Nos roteiros de teatro e cinema de jornal não conheço ninguém e tenho certeza de que eles nem sabem que eu existo. Não faço falta a eles, nem eles a mim. Fiz a minha parte no momento em que me pareceu necessário fazer. Não me vejo fazendo nada do que está por aí. Se soubesse cantar talvez sentisse prazer fazendo um musical. Mas depois de West Side Historie e Hair, fazer mais o que? Novela na Globo? Se fosse bom, os grandes atores que estão lá contratados, ganhando sem trabalhar estariam brigando por papéis e não se escondendo ou fazendo apenas pequenas participações. O que estou querendo dizer é que tudo é muito mais glamuroso enquanto é alternativo, enquanto não é objeto de consumo, de ganho de dinheiro fácil.

Tempos atrás, ninguém mandava um filho pra uma escolinha de futebol porque não existia isso, ao contrário, o pai ou a mãe ia buscar o filho pela orelha se em vez de estar na escola ou entregando as marmitas ou a roupa lavada estivesse jogando bola no campinho, no meio da rua ou na linha do trem. Hoje há uma escolinha de futebol em cada esquina, cobrando caro, pra garotinhos de classe média (alta). Há também escolas de teatro (quando se refere a teatro, não me atrevo a chamar de “escolinhas”, por piores que, por ventura, sejam ). Não muito tempo atrás quem se aventurasse a fazer teatro era tachado de vagabundo, boêmio(com alguma razão), viado e as mulheres, putas(essas então, pela coragem merecem todo respeito). Hoje, menininhas finas matriculam–se em escolas de teatro e, não raro, embarcam para Nova York ou Los Angeles para cursos avançados de interpretação que agora preferem chamar de “atuação” ou “acting”. Não entendo bem porque. Quando estive fora do país e tive a oportunidade de atuar lá, não vi o menor sentido em fazer teatro em outra língua ou em outra realidade. Continuo acreditando que o artista não é aquele que vai atrás da onda e sim o que arremessa contra ela a força de tudo que o incomoda. Pra ganhar ou perder!

*Walter Cruz é Ator de cinema, teatro e televisão.

 

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3 Comentários

  1. Adria Maria Bezerra Ferreira
    03/03/2017 em 23:59 — Responder

    Tenho que dizer “Obrigada” a esta nova forma de jornalismo. Sensível, real, pés no chão e tratando os assuntos com respeito e dignidade.
    Estarei sempre acompanhando as informações que para mim são importantes. Saber dos acontecimentos da cidade, das pessoas com nomes e dos “nomes” faz parte da minha vida. Falar da exclusão, do “feio”, das encruzilhadas, do abandono, das mazelas, da pobreza não é prazeroso para ninguém, mas faz parte da nossa realidade, da vida, da cidade, de todos nós.
    Com certeza este espaço vai dar visibilidade a vida humana nas alegrias e nas tristezas.
    Parabéns Gilson.

    Ádria Maria

  2. Marina
    02/03/2017 em 14:36 — Responder

    Todas as semanas jogava bola ou melhor eu era goleira, ia escondido de minha mãe, um belo dia ela descobriu, através de uma menina invejosa. E ela foi me buscar exatamente desse jeito e me humilhando e dizendo na minha casa não tem mulher-homem. Parti para outra arte fazer teatro na escola quem disse novamente ela não deixava e dizia você não vai sábado para escola você tem que me ajudar não quero filha vagabunda. Agora tento fazer o que me foi roubado na juventude, jogar bola não, poderia morrer infartada . Atualmente ela tem muito orgulho de mim, pois corro atrás do que não pude fazer e nós amamos sem lembrar do passado.

    • Lazaro JOSÉ Sawaya Donadelli
      20/03/2017 em 11:16 — Responder

      Há quem agradeça o rigorismo praticado pelos pais, no passado. Às vezes a maneira mais correta de demonstrar admiração pelos pais é criticando os tais rigorismos, deixando de praticá-los no presente.

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