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Coluna do Gilson / Eu e Anne /

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Tinha eu vinte e poucos anos, quando fui ao Teatro Paiol em São Paulo, assistir a pré – estreia de ‘O Diário de Anne Frank’, com Miriam Mehler vivendo o papel principal.

Naquela época, as companhias faziam as pré – estreias para a classe teatral às segundas – feiras.

Ao terminar a última cena, sob forte emoção pensei: “Um dia ainda vou fazer este espetáculo…”

Dali, levado por Kiko Jaess e Hilton Viana , então crítico teatral do ‘Diário da Noite’, fomos jantar no Gigetto.

Viana também estava encantado com o espetáculo, embora fazendo algumas restrições a atuação de Miriam, comparando com outra montagem assinada por Antunes Filho.

Kiko aprovava sem restrições.

Eu, ainda impactado pela emoção do espetáculo, mal conseguia prestar atenção a conversa. Só pensava como fazer para realizar aquele sonho, então nascendo… As cenas que acabara de assistir se misturavam na cabeça ao barulho do restaurante. Somava-se, os efeitos de um forte conhaque que, na medida do consumido, perguntava: Por que não, Gilson?

Anos depois, em Campinas, fui convidado pelo produtor Alexandre Caldas, para assistir a versão de Abílio Guedes para ‘Anne’, no Teatro de Arte e Ofício.

O impacto não foi menor. Abílio Guedes, em sua maestria, nos dava um ‘Diário’ repleto de grandes atuações, cenários e figurinos impecáveis assinados por Fernando Grecco.

Jantando em seguida com o elenco no Bar Azul/Cambuí, confessava a Abílio intenção de também dirigir ‘Anne’, um dia…

– E porque não, Gilson?, questionou o diretor.

E muito tempo passou daquele dia. Mas o sonho, não.

 

Então, em 2016, recebo um telefonema de Luiz Rufino, na época secretário de Educação de Ribeirão Preto. Curto e grosso anunciava a demissão, por parte da prefeitura, de todos os professores do Instituto Ribeirão Em Cena.

Assim ‘decretava-se’ o fim de uma Lei/Convênio, aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal e que até aquele momento somava quinze anos de vigência.

Foram quinze anos no trabalho de Teatro/Educação do Ribeirão Em Cena, para a formação de aproximadamente 3 mil bolsistas, jogados no lixo da triste história recente de Ribeirão Preto.

Naquele instante, o mesmo impacto, e sequente tristeza. Emoção semelhante à que sentira quando do assistir ‘Anne’ em tempos de outrora no Teatro Paiol,

– Chega, pensei… Chegou a hora de pendurar as chuteiras. Mas antes, seja em quais circunstâncias forem, também chegou a hora para ‘Anne Frank’.

Em meio ao tumulto que se seguiu ao fechamento do Ribeirão Em Cena, procurei reunir um elenco. Consegui. Depois de um ano de estudos e ensaios à exaustão, ‘Anne’ estreava no Theatro Pedro II, com dramaturgia que assinei para direção de Amilton Monteiro.

Mil e quinhentas pessoas aplaudiram o espetáculo em pé naquela noite, imagem que até hoje guardo na retina.

De Ribeirão Preto para o Festival Internacional de Curitiba e turnê com 20 apresentações em cidades paulistas, incluindo a capital São Paulo, nos Teatros Heleny Guariba e da FAAP.

Pois é… Ainda há pouco recebi um telefonema. Era a Érica do Teatro Santa Rosa, dizendo que os ingressos para a sessão de ‘Anne’, marcada para hoje, estão esgotados:

“Que tal já começar reservas para  uma outra sessão no dia 30 de Agosto?”,  propoz a administradora do Teatro

Pensei: E por que não, Gilson?

Respondi: Porque não, Érica?

 

That’s all, folk!” 

15/08/2018 Gilson Filho é editor deste Blog/ Jornalista MtB 1.7114/67/15V/

 

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3 Comentários

  1. Luciana Rastelli Rangel
    17/08/2018 em 09:15 — Responder

    Parabéns! Peça magnífica! Saí muito emocionada.

  2. Amilton Monteiro
    15/08/2018 em 21:45 — Responder

    Abraço, mano Gilson!

  3. Francisco
    15/08/2018 em 18:17 — Responder

    Boa sorte, ou Merda, preferindo, com quanto, em 16/08 e 30/08. Viva. Vc é um ótimo relator… de si mesmo… porém, honesto.

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