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Débora Duboc dá vida à Eliana Zagui em espetáculo que encanta São Paulo / Dançar é atirar-se aos braços da imaginação / Por MICHEL FERNANDES

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SÃO PAULO – Comprovando que a escolha do Júri Técnico do Prêmio Aplauso Brasil de Teatro teve um sentido assertivo, o Projeto Teatro Mínimo do SESC Ipiranga apresenta até domingo (1º) mais um espetáculo de extrema qualidade, em muitos aspectos, que ajuda-nos a refletir sobre nossas possibilidades, emociona ao retratar um história absolutamente real e nos alerta sobre as soluções encontradas pelos políticos que pouco tem a ver com uma inequívoca preocupação com a saúde: Trata-se do belíssimo solo de Debora Duboc em ‘A Valsa de Lili’, texto delicado e poético de Aimar Labaki.

Débora Duboc dá vida à Eliana Zagui – cuja autobiografia Pulmão de Aço serve de base à criação de Labaki – que há mais de quarenta anos está na UTI do Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas de São Paulo, desde os dois anos de idade, por conta de uma poliomielite. A atriz, cuja voz peculiar e afinada são trunfos da sua excelência técnica, desenha, com impecável dicção, a agradável tessitura textual (Aimar Labaki, sem cair na autocomiseração), apresentando nuances emocionais em cada uma das palavras ditas.

Quem conduz a viagem dessa “valsa” é Débora Dubois que, em sincronia com Márcio Vinicius (arquitetura cênica e figurino) e Aline Santini (iluminação), faz da simplicidade um delicioso espetáculo para ver, ouvir e emocionar-se. Dubois guia Duboc com sutileza e o rigor físico exigido (preparada fisicamente por Doria Gark, já que a personagem mexe apenas a cabeça e é traqueostomizada). Como se houvesse uma partitura vocal, em que cada nota merece atenção especial, ao final, a melodia arrebata o espectador.

Agora, peço licença a você leitor para registrar o que um sujeito que tem uma Ataxia Cerebelar Progressiva – Ataxia de Friedreich, meu diagnóstico – sentiu ao assistir A Valsa de Lili. Em primeiro lugar, fiquei muito feliz ao perceber que é possível abordar esse tema sem resquícios de assistencialismo, o que poderia enfraquecer a trama (“Detesto quando olham pra mim com pena. Dá vontade de perguntar: escuta aqui, você já se olhou no espelho? Já sacou o que é que você faz com toda a sua liberdade?”), com abundância poética e uma denúncia contundente aos meandros, plenos de politicagem, do sistema de saúde (“matava o prefeito da cidadezinha onde eu morava… ele perguntou o nome da minha família. Como não conhecia, não fez nada, dizendo que não era obrigação dele”), além da compreensão de que dançar é uma questão de você se atirar sem medo nos braços da imaginação. Como diz Lili, tem gente com muito mais possibilidades e nem por isso dança com a vida.

Compreendi que a vida é isso: uma questão de posicionamento, de escolhas. Você pode aceitar os inúmeros nãos que os caminhos apresentam, mas você tem a opção de buscar os sims. Viver é um ato político, é uma questão de posicionamento.

SERVIÇO

A Valsa de Lili, de Aimar Labaki, direção de Débora Dubois, com Débora Duboc

Sesc Ipiranga – Auditório – Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga

Temporada: Até a 1º de Setembro

Às quintas e sextas às 21h30, aos sábados 19h30 e aos domingos, às 18h30.

Ingressos: R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (meia: estudante, servidor de escola pública, + 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência); R$ 6,00 (credencial Sesc)

Duração: 60 minutos

Capacidade: 30 lugares

Sesc Ipiranga

Rua Bom Pastor, 822 – Ipiranga, São Paulo |Tel: (11) 3340-2000

Michel Fernandes
MICHEL FERNANDES, GRADUADO EM JORNALISMO E PÓS GRADUADO EM DIREÇÃO TEATRAL. ESCREVEU DE 2000 A 2012 CRÍTICAS DE TEATRO E REPORTAGENS PARA O IG. EM 2002 CRIOU O APLAUSO BRASIL – WWW.APLAUSOBRASIL.COM.BR -, SITE VOLTADO À NOTICIAS, RESENHAS E CRÍTICAS TEATRAIS, ATÉ HOJE NO AR. INTEGRANTE DA APCA DESDE 2004, MICHEL FERNANDES JÁ ESTEVE NAS COMISSÕES DO PRÊMIO MIRIAM MUNIZ, PROAC, PROGRAMA DE FOMENTO AO TEATRO DE SÃO PAULO, EMTRE OUTROS EM 2012 CRIOU O PRÊMIO APLAUSO BRASIL DE TEATRO. EM 2014 REALIZA RESIDÊNCIA DO APLAUSO BRASIL NA SP ESCOLA DE TEATRO. EM 2015 É CRÍTICO CONVIDADO DA MITSP (MOSTRA INTERNACIONAL DE TEATRO DE SÃO PAULO). EM 2016 É MEMBRO DE COMISSÃO JULGADORA DO PROAC. EM 2017 FAZ PARTE DO CONSELHO CONSULTIVO DO CCSP.
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1 Comentário

  1. Evandro da Costa Favacho
    31/08/2019 em 09:33 — Responder

    Já que ela não vem a Ribeirão, “vumbora” ver a Débora!

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