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O Crime Descompensa / Devarim, nós e a justiça / Blog do Gilson Filho /

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“Como” e não “por que” é a palavra que a Bíblia enfrenta a catástrofe e o mal. Não devemos encarar  com lágrimas as desgraças e comentar: “Porque isso aconteceu comigo? É possível que jamais saibamos. O importante é saber como o mal ocorreu, pois tudo poderá ajudar-nos a evitá-lo de uma próxima vez.Agora que já aconteceu devemos preocupar-nos como combater o infortúnio, como superar e erradicar o mal.. Saber “como” ocorreu, como as coisas se deterioraram gradativamente até chegarem ao estágio atual, pode ajudar encontrar a resposta para a pergunta de “por que” aconteceram da maneira que aconteceram.

16 – Ouvi a causa entre vossos irmãos –

O Rabino  Moshe Grylak comenta em sua obra ‘Reflexões sobre a Torá’  que nossos sábios extraíram  deste versículo diversos  ensinamentos, como por exemplo o que proíbe um juiz de ouvir um dos lados litigiantes sem a presença do outro. Este é um dos preceitos deste versículo originalmente destinados aos juízes. Mas de modo mais amplo, ele se refere a todo o povo, pois como ensinaram os grandes pensadores do judaísmo, cada pessoa é um juiz que deve sustentar diariamente a cada instante.

” Vocês – lembra-lhes Moisés – em breve entrarão na Terra de Israel, e eu não estarei com vocês.Com ajuda de D’us construirão o país hebreu e moldarão, com o exemplo de suas vidas, uma sociedade de acordo com a Torá. Peço-lhes, então,que depositem no alicerce o princípio de “ouvir a causa de vossos irmãos”. Ou seja , acostumem -se desde início a prestar atenção aos seus companheiros , ouvindo o que o próximo tem a dizer, porque isso é vital à sua sobrevivência, pois ouvir implica prestar atenção e levar ao próximo em consideração;ouvi-lo com atenção, para entender o que ele diz, e mais que tudo, considerar  as queixas e opiniões divergentes das sudas e,obviamente, permitir que o outro termine sua fala sem interrupções.

A palavra

“escutar’ deriva da palavra “equilíbrio” (em hebraico Lahaazin e Izun, respectivamente), e não há equiíbrio entre homens e seu próximo sem que haja a possibilidade de se escutarem as palavras do outro.Sabemos também que o equilíbrio de nossos corpos depende essencialmente do labirinto, que se situa no ouvido interno. Por esse motivo, temos uma boca e dois ouvidos em nossa cabeça. Aquele que deseja ser equilibrado, por favor,que fale apenas metade do que escuta. Esse é o segredo do ouvido que nos dá equilíbrio, criando  proximidade, compreensão e harmonia entre as pessoas  e a esperança de aproximação entre posturas antagônicas na sociedade. Pois a atenção é compromisso  e conciliação, é um julgamento feito com justiça. Se o povo anseia pela vida, ele deve fazer do compromisso nas relações interpessoais sua ideologia de vida e seu meio básico de vida.

No judaísmo, conciliação não significa abrir mão de princípios ou crenças fundamentais. Ao contrário, o compromisso é o único instrumento de que dispomos para extrair das circunstâncias  o máximo, de modo amigável, a partir de uma visão correta da realidade. Pois assim nos ensinaram os sábios.

“Que o homem seja sempre mole como o junco e jamais duro como o carvalho.” (Taanit 20). Será que a intenção do Talmud (*) era formar pessoas submissas que pudessem ser moldadas  de acordo com a nossa vontade? Muito pelo contrário! Apenas aquele que é flexível como o junco pode alcançar seus objetivos. Sua força  reside exatamente em sua flexibilidade. (E).

Entre vossos irmãos.

Se o homem soubesse que o próximo é seu irmão, no sentido literal da palavra, ou melhor ainda, se sentisse que seu irmão é carne de sua carne e sangue de seu sangue, então saberia, apesar das diferenças, das controvérsias e dos conflitos de interesses, que existe algo de essencial e primário que os une. Seria mais fácil escutar o que o próximo tem a dizer. Se esta solidariedade básica fosse óbvia ao homem, independentemente das desavenças superficiais, ele poderia tentar compreender e diminuir as diferenças existentes, para atingir um convívio baseado no comprometimento mútuo. Se uma pessoa tem dificuldade em ouvir o próximo, é porque se sente alienado dos outros, como se fosse uma unidade unidade autônoma, uma realidade independente e não parte de um todo. E isso não é verdade como podemos aprender da Torá logo no início do Gênesis: “Por tal motivo foi criado um único homem… para assegurar a paz e evitar que um idga a seu próximo: Meu pai é mais importante que o teu.” (Taanit 37). Ou seja, todos nós, todos os seres humanos , pertencemos  a uma única família, e isso já é motivo suficiente para vivermos em paz. E se esta exigência é feita a toda espécie humana, ela é aplicável principalmente ao povo de Israel.  ( Texto extraído Torá – Devarim 1: 8 – Exegese.)

*Devarim é chamado comumente de Deuteronômio pela tradição ocidental e trata-se praticamente do mesmo livro apesar de algumas diferenças, principalmente no que lida com interpretações religiosas com outras religiões que aceitam o livro de Deuteronômio.

*Talmud (significa estudo) é uma coletânea de livros sagrados dos judeus, um registro das discussões rabínicas que pertencem à lei, ética, costumes e história do judaísmo. É um texto central para o judaísmo rabínico.

   That’s all, folk …Gilson Filho é jornalista e editor deste Blog MTB 17114/67/15

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