Home»ARTES CÊNICAS»Prefeitura de SP promete festival com peças censuradas pelo governo Bolsonaro / Artistas também protestam no Rio de Janeiro / Blog do Gilson Filho /

Prefeitura de SP promete festival com peças censuradas pelo governo Bolsonaro / Artistas também protestam no Rio de Janeiro / Blog do Gilson Filho /

2
Ações
Pinterest Google+

Alê Youssef, secretário de Cultura da cidade de São Paulo, é o elo de Bruno Covas com a esquerda.

SÃO PAULO – O prefeito Bruno Covas, do PSDB, se define como um radical de centro. O responsável por trazer o pêndulo para a esquerda quando o tucano inclina para a direita é o secretário de Cultura, Alê Youssef, que ocupa o cargo desde janeiro deste ano.

Sob a batuta do tucano, a prefeitura tem marcado em algumas frentes posições contrárias ao governo federal , comandado por Jair Bolsonaro (PSL). O prefeito disse à Folha em abril, por exemplo, que não aceitaria que livros didáticos retirassem a classificação de “golpe” para a ascensão dos militares ao poder em 1964.

Na arena cultural, a divergência tem sido franca, com Youssef na linha de frente. No começo de 2020, ganhará corpo a medida mais radical nesse front.

O festival Verão Sem Censura em São Paulo acolherá, segundo o secretário, todas as peças de teatro que foram e venham a ser censuradas no país . Ele diz que será uma resistência pró-ativa aos ataques que a classe artística tem recebido do governo federal e de instituições a ele vinculadas, como a Funarte e a Caixa Cultural.

Na sexta-feira (11), foi feito um primeiro teste para esse festival anticensura. Vetada pela diretoria da Funarte, a peça “Res Publica 2023”, do coletivo A Motosserra Perfumada, abriu temporada no Centro Cultural São Paulo, o CCSP, a convite da prefeitura.

Conhecido por sua trajetória como produtor culutral,  Youssef critica o que vê como atitudes de “criminalização do artista” por parte de Bolsonaro. Para ele, São Paulo está se consolidando como um “oásis cultural”, exercendo sua vocação antiobscurantista.

PEÇAS QUE FORAM CENSURADAS

‘Abrazo’
O espetáculo da companhia Clowns de Shakespeare foi cancelado após estrear na Caixa Cultural do Recife, em setembro 

‘Gritos’ 
O espetáculo, que tem uma travesti entre seus personagens, seria apresentado na Caixa Cultural de Brasília, mas foi suspenso

‘Caranguejo Overdrive’
O espetáculo havia sido programado pelo Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro. Produtores dizem que não houve justificativa para o cancelamento

‘Res Publica 2023’ 
A peça foi vetada pelo próprio diretor do Centro de Artes Cênicas da Funarte, Roberto Alvim, e acabou estreando no ​CCSP.

 

Centenas de pessoas protestam no Rio contra censura a espetáculos. Organizadores criticam medidas tomadas pelo CCBB e Caixa Cultural

 

Marieta Severo esteve no protesto reuniu centena de pessoas, em frente ao CCBB, no centro do Rio de Janeiro – Vanessa Ataliba/Brazil Photo Press/Folhapress

RIO DE JANEIRO  -Um ato no centro do Rio de Janeiro reúne nesta sexta-feira (11) centenas de manifestantes contra o cancelamento de espetáculos por instituições culturais públicas.

Os organizadores criticam medidas tomadas pelo CCBB(Centro Cultural Banco do Brasil) e Caixa Cultural, que classificam como censura . Os bancos estatais negam que tenham praticado cerceamento.

Os manifestantes começaram a se concentrar perto da Pira Olímpica por volta das 16h. Num palco montado no local, a banda da peça “Caranguejo Overdrive” toca as músicas do espetáculo.

Também foi lido um manifesto assinado por companhias de teatro que participam das comemorações dos 30 anos do CCBB-Rio, evento do qual a peça faria parte.

“Nosso objetivo é chamar a atenção da sociedade para a importância da pluralidade. Até o momento, não recebemos nenhuma justificativa do CCBB para esse cancelamento”, afirmou o dramaturgo Pedro Kosovski, autor da peça.

A atriz Alice Maria, 23, que atua no teatro amador, aderiu ao protesto, temendo o avanço da censura contra a cultura no país. Ela pintou o corpo para realizar uma performance no local, simbolizando uma exposição proibida.

“Usam o termo filtro, mas o que há é censura. O Estado é laico e temos que respeitar as diferentes manifestações culturais”, afirmou a artista.

A cantora Zélia Duncan, que aderiu ao protesto, disse que o cancelamento ataca conquistas. “Eu estou aqui como artista, cidadã, mulher e gay. É uma vergonha estarmos passando por isso. Estão atacando coisas que já foram conquistadas.  Mas a arte é muito maior que esse governo.”

Já a artista plástica Helenice Dornelles foi para o ato com estandartes confeccionados por ela para protestar contra o que considera ataques à liberdade de expressão. Ela reproduziu foto histórica de atrizes contra a censura no centro do Rio em 1968. Nela estavam Norma Bengell, Tônia Carrero, Leila Diniz e Eva Wilma.

“As pessoas precisam ir para as ruas para evitar que as coisas piorem. Não podemos ficar apáticos”, afirmou a artista.

Em nota, o CCBB negou ter praticado censura e justificou a retirada da peça por ter incluído manifestação política, contrariando o edital.

A Caixa informou, também por meio de nota, que não alterou sua política de patrocínios culturais e informou que a peça “Abrazo”, da companhia Clows de Shakespear, foi suspensa no Recife por violação de cláusulas contratuais.

Com Artur RodriguesGuilherme Seto / Michel Alecrim – Folha

 

   That’s all, folk …Gilson Filho é jornalista e editor deste Blog MTB 17114/6

Postagem anterior

Arcebispo de Aparecida diz que 'direita é violenta e injusta' e critica conservadorismo / Blog do Gilson Filho e 247

Próxima Postagem

Datena: “Se for apoiado pelo Bolsonaro, saio pelo partido que ele for / Lula livre: Celso de Mello sinaliza que votará pela anulação dos processos contra Lula e o placar seria 3 a 2 contra Moro/

Sem comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *